Sua carreira precisa de adrenalina? Estes esportes vão ajudar

Sua carreira precisa de adrenalina? Estes esportes vão ajudar
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Estado de alerta, pupilas dilatadas, mãos suadas, frio na barriga e coração acelerado. Essas são algumas das sensações que ocorrem quando se praticam esportes radicais.

O Ministério do Turismo do Nepal, por exemplo, registrou em abril um número recorde de 381 autorizações para escalada do Monte Everest. A procura foi tanta que no mês de maio houve um engarrafamento de alpinistas, causando a morte de pelo menos 11 pessoas. Entender por que algumas pessoas se aventuram a ponto de colocar a vida em risco não é fácil. Nem a literatura médica tem um consenso sobre isso.

Um estudo publicado em 2014 por Cynthia Thomson, da Universidade British Columbia, Ph.D. em cinesiologia (ciência que estuda o movimento corporal), sugere que indivíduos atraídos por esportes mais arriscados podem ter uma predisposição genética que modifica os receptores da dopamina. Basicamente, quanto mais receptores a pessoa possui, mais hormônio precisa ser liberado para que ela se sinta estimulada.

Corpo, mente e um pouco mais

Além dos clássicos benefícios da prática de esportes, como melhora do condicionamento físico, equilíbrio, flexibilidade, emagrecimento e ganho de resistência, estudos mostram que os esportes radicais podem resultar em melhorias nos casos de ansiedadedepressão, hiperatividade e déficit de atenção graças à liberação de hormônios neurotransmissores de bem-estar, como dopamina, serotonina e endorfina.

A prática de esportes radicais ainda permite aprimorar as habilidades necessárias para lidar com a ansiedade. Isso porque os adeptos regulares sofrem uma mudança química no cérebro, o que os ajuda a permanecer calmos e concentrados por mais tempo.

Velocidade máxima

Enfrentar altas velocidades não é um problema para Lucy Onodera, (foto de abertura) sócia-diretora da rede de clínicas Onodera Estética. A paulistana de 40 anos pratica esportes desde criança graças à influência de seu pai, Ikuo Onodera, ex-treinador da seleção brasileira de judô.

Há 15 anos, ela começou a fazer corrida de aventura e mountain bike enduro — modalidade que envolve circuitos de subidas e descidas de bicicleta. Os treinos durante a semana são na academia, pensando no aeróbico e na resistência, mas a diversão começa mesmo nos fins de semana, quando a executiva vai para o “meio do mato”, como costuma brincar. “Acabei de voltar do Peru e estou me preparando para ir ao Canadá. ”

Lucy explica que os esportes radicais ensinam muitas coisas que podem ser levadas para o ambiente de trabalho. No caso da corrida esportiva, a atividade é realizada em grupo, por isso é preciso ter planejamento, preparação emocional e saber lidar com as pessoas em situações de estresse.

Já no mountain bike o desafio está no foco e na antecipação de problemas, pois, durante a descida em alta velocidade, é preciso estar atento para não cair. “Hoje, eu sei lidar com qualquer problema, porque sei que já consegui vencer muitos desafios e situações extremas durante as atividades. ”

Adrenalina nas alturas

A aviação sempre foi uma paixão de Aloysio Carvalho, de 46 anos, CEO da Falconi Capital, tanto que o executivo já voava com a família. Porém, há oito anos, o mineiro quis fazer aulas para poder assumir o comando caso tivesse algum problema durante o voo. Foi quando descobriu as acrobacias aéreas. “Todo mundo acha perigoso, mas a aviação é uma atividade muito padronizada e que precisa de disciplina, tem lista de checagem para tudo. ”

Aloysio passou por um treinamento de mais de 10 horas de voo acrobático, que inclui aula em solo, no ar e com manobras. O executivo afirma que o maior aprendizado foi entender que existe risco em qualquer atividade, inclusive as profissionais, mas que o maior risco é não conhecer os perigos e não estar preparado para lidar com eles.

 “Você precisa estar totalmente focado no esporte, então, acaba se desligando do trabalho e, depois, percebe que encontrou algumas soluções para os problemas que estava tendo. Esse é um dos melhores momentos para mim. Às vezes, até minha esposa fala que eu estou precisando fazer um voo. ”

No topo do mundo

Desde criança, Ana Araújo, de 40 anos, gosta de atividades que proporcionem contato com a natureza. Praticou hipismo e mountain bike, mas foi na escalada que ela se descobriu, aos 22 anos. “Comecei com escalada em rocha, passei a fazer trilhas cada vez mais longas até chegar às montanhas de altitude. ”

Diretora de produto na plataforma de áudio-livros Auti Books, Ana afirma que o esporte afetou diretamente a forma como lida com as dificuldades no trabalho, fazendo com que compreenda melhor quais são os problemas e as prioridades e entenda por que é tão importante que as pessoas ajam em conjunto.

“Quando eu faço montanhismo com meus amigos, todo mundo tem de trabalhar em equipe, planejar, pensar na logística, avaliar o que pode ou não dar errado. Tem horas que a gente precisa ter conversas mais duras e francas. No trabalho essa rotina é muito parecida. ”

O treinamento de Ana começa logo cedo, na academia. Todos os dias, a carioca faz treinos de musculação e aeróbico com foco na prevenção de lesões. Depois do trabalho, três vezes por semana frequenta um ginásio de escalada indoor. E no fim de semana consegue colocar em prática o esporte.

Já escalou montanhas no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Peru e na Argentina, agora se prepara para escalar, em 2021, o Aconcágua, a montanha mais alta fora da Ásia, localizada na Cordilheira dos Andes.

Continue a nadar

Quem entra no consultório de Flávio Hojaij, médico especialista em cirurgia de cabeça e pescoço e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), não imagina que nas horas vagas o paulistano de 54 anos nada longas distâncias em alto-mar.

Praticante de maratona aquática desde 1983, Flávio treina durante 1 hora de segunda a sexta. Nos fins de semana, quando a previsão do tempo permite, desce para o litoral paulista para se jogar no mar. “Fiz minha primeira prova em água aberta quando tinha uns 33 anos e adorei. Venho nadando desde então. ”

O médico afirma que a atividade o ajuda a desenvolver habilidades como disciplina, resiliência e liderança, mas que é preciso ter um trabalho psicológico e de resistência intenso.

“Se você está em uma corrida de rua e passa mal, é só sentar no chão para se recuperar. Na natação, quando você está no meio do mar, não pode parar. Por isso, é preciso se conhecer, conhecer seus limites, e isso é para a vida, não só para os esportes. ”

Fonte: Exame carreira

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