Nem todos os tipos de atividade física são bons para o coração

Nem todos os tipos de atividade física são bons para o coração

Acredita-se que a atividade física seja nosso maior aliado na luta contra doenças cardiovasculares. Porém, existem muitos tipos de atividades físicas, podendo haver variações significativas nos efeitos protetores em uma variedade de situações.

Por exemplo, existem diferenças nos benefícios se você pratica regularmente um esporte, ou carrega pesos no trabalho ou mesmo sai para passear com os amigos?

Tipos de atividade física

Apesar de a atividade física ser um conceito amplo, poucos estudos científicos analisaram as diferenças entre os vários tipos de exercício e seus benefícios para o coração.

Este foi o foco de Jean-Philippe Empana, Xavier Jouven e Pierre Boutouyrie (Universidade de Paris), em colaboração com a equipe da professora Rachel Climie (Instituto Baker do Coração e Diabetes, na Austrália).

“Nossa ideia era verificar se todos os tipos de atividade física são benéficos ou se, em algumas circunstâncias, a atividade física pode ser prejudicial. Queríamos, em particular, explorar as consequências da atividade física no trabalho, especialmente atividades físicas extenuantes, como carregar rotineiramente cargas pesadas, o que pode ter um impacto negativo,” explicou Empana.

Atividades físicas boas e ruins

Em suas análises, os pesquisadores distinguiram entre dois componentes do barorreflexo: o barorreflexo mecânico, avaliado pela medida da rigidez arterial, e o barorreflexo neural, avaliado pela medição dos impulsos nervosos enviados pelos receptores nas paredes da artéria, em resposta a uma distensão do vaso.

Anormalidades no componente mecânico tendem a estar associadas a doenças cardiovasculares relacionadas ao envelhecimento, enquanto anormalidades no componente neural tendem a estar ligadas a distúrbios do ritmo cardíaco, que podem levar a uma parada cardíaca.

O estudo mostrou que a atividade física esportiva de alta intensidade está associada a um melhor barorreflexo neural, portanto, com efeito protetor para a saúde cardiovascular.

Por outro lado, a atividade física no trabalho (como carregar rotineiramente cargas pesadas) parece estar mais fortemente associada a um barorreflexo neural anormal e a uma maior rigidez arterial. Essa atividade pode, portanto, ser prejudicial à saúde cardiovascular e, em particular, pode estar associada a distúrbios do ritmo cardíaco.

Mais estudos

“Nossas descobertas representam uma rota valiosa de pesquisa para melhorar nossa compreensão das associações entre atividade física e doenças cardiovasculares. Elas não sugerem que o movimento no trabalho seja prejudicial à saúde, mas sugerem que a atividade crônica e extenuante (como levantar cargas pesadas) no trabalho pode ser,” destacou Empana.

Os pesquisadores tentarão a seguir replicar esses resultados em outras populações e explorar com mais detalhes as interações entre atividade física e saúde.

“Este estudo tem importantes implicações na saúde pública para a atividade física no trabalho. Agora, queremos expandir nossa análise para explorar ainda mais as interações entre a atividade física e o estado de saúde das pessoas no local de trabalho,” concluiu Empana.

Fonte: diariodasaude

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